sábado, 3 de abril de 2010

A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exaclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: "E com teu espírito". E tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti por aqueles que nascerem de ti, agora digo, que com todo o meu poder, ordeno aos que estava na prisão: 'Sai!'; e aos que jaziam na trevas. 'Vinde para a luz!'; E aos entorpecidos: 'Levantai-vos!'



Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saimos daqui; tu em mim e eu em tui, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu Filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci a terra e foi até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixastes o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus, e num jardim crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar dos teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à arvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendes suas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levante-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constitui anjos que, como servos, te guardassem, ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins prontos e a postos os mensageiros, construídos o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos, adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o rieno dos céus preparado para ti desde toda a eternidade".

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo (Retirado da Liturgia da Horas)

Retirado de: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/quaresma2006/materias.php?local=0&id=9098

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Deus está no controle?

Encontrei essa carta destinada ao pastor Ricardo Gondim no site do mesmo, e resolvi publicá-la aqui no blog.

Prezado Ricardo, boa noite,

Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar o fato de que fui ateísta durante 30 anos, e faz apenas e tão somente dois anos e pouco que me tornei cristã, por isso minhas opiniões não são nada ortodoxas. Posso dizer ao senhor que em momento algum, nesses dois anos de vida cristã, percebi que houvesse qualquer relação entre a descrição do Deus dos exércitos, feita pelos hebreus no antigo testamento, e o Deus de Jesus. Nunca me entrou na cabeça, como os cristãos podem considerar que o mesmo Deus de Jesus, patrocinou tantas atrocidades no antigo testamento, sem ver problema algum nisso, sem ver contradição alguma. É ponto pacífico para mim, que muitas coisas que os hebreus fizeram supostamente em nome ou com a ajuda de Deus, nada tiveram a ver com Deus. E boa parte dos relatos sequer aconteceu, e se aconteceu, não foi da forma como está descrito na bíblia. Não tem como juntar o Deus de amor do novo testamento, com o Deus dos exércitos do antigo. Eu não perco meu tempo com esse tipo de malabarismo em defesa do deus tribal dos hebreus. Simplesmente descarto o que é humano demais na bíblia para ter vindo de Deus, e pronto. Sem medo.

Com relação ao assunto: Deus está no controle?

Eu, como cientista, tenho o dever de não buscar explicações sobrenaturais para substituir as explicações naturais que já existem, para fenômenos como terremotos, tsunamis, furacões, ou a evolução biológica. Jamais acreditei em Gênesis literal, por exemplo. Esses fenômenos fazem parte das condições naturais do nosso planeta, o qual possui sistemas todos interligado, e cujo equilíbrio é bastante delicado. Terremotos são naturais, num planeta constituído de uma massa incandescente de rocha, coberta por uma fina camada de rocha solidificada, e ainda por cima dividida em placas que se movem e se atritam entre si (Aliás, o conhecimento que possuo sobre o funcionamento das coisas na natureza, me impede de seguir a linha do design inteligente - as coisas na natureza não são perfeitamente desenhadas). O tsunami, nada mais é do que uma onda gigante, provocada por um terremoto subaquático. Não depende de Deus nem iniciar o processo, nem pará-lo. É apenas algo que naturalmente ocorre ao nosso planeta. A morte é parte da vida, nós mesmos nos alimentamos da morte de outros seres vivos, plantas e animais.

As tragédias também afetam animais e vegetais, eles estão ainda mais expostos a elas do que nós, e muitas vezes nós que somos culpados por elas, eles não. Deus não tem propósito algum com a tragédia, o que pode acontecer, é que durante uma tragédia como essa, pessoas podem ter a oportunidade de se mobilizar e expressar o amor de Deus por quem sofre. E isso não depende de religião. Deus usa quem se disponibiliza a ajudar, quem dá a cara à tapa, quem está lá, presente, solidário, arriscando a própria vida às vezes. Nunca reparou que é mais comum ver pessoas fazendo mal a outras "em nome de Deus"? Nem sempre quem faz o bem, diz que está fazendo isso em nome de Deus; está, mas muitas vezes não tem consciência disso. E os religiosos em geral, muitas vezes usam a oportunidade para vender a igreja a quem está sofrendo. Ajudam, para depois exigir que a pessoa faça parte da igreja, distribuem folhetos para deixar claro que foi tal igreja que ajudou. O vento sopra onde quer, e Deus usa quem quiser, quem estiver disponível.
Quando ocorreram aquelas enchentes terríveis em Santa Catarina, a Ana Paula Valadão soltou uma bobagem sem tamanho em seu blog, dizendo que era castigo de Deus pela depravação da Oktoberfest. E o pior é que houve muitas cabeças, sem cérebro, que concordaram. Catástrofes naturais são apenas isso: catástrofes naturais. Fazem parte do funcionamento do planeta. Sempre aconteceram e sempre vão acontecer, acontecem no Ocidente, no Oriente, independente da religião, independente da crença. Atribuir a Deus qualquer participação ou controle sobre isso, é um erro, no meu ponto de vista. Por exemplo: se somos nós que jogamos lixo nos rios e impermeabilizamos as cidades com concreto e asfalto, Deus tem responsabilidade pela enchente, ou obrigação de fazer a água desaparecer do nada? Ou temos que arcar com as conseqüências do nosso desrespeito ao meio ambiente e ficar debaixo d'água?

Muitas pessoas me criticam pelo meu ceticismo, porque não creio que os milagres descritos no antigo testamento tenham realmente acontecido. Não vejo Deus dando esse tipo de espetáculo milagroso agora, então porque acreditaria que antes Ele os executava a torto e direito? A seca no nordeste? Será que o povo do nordeste não pede chuva pra Deus? Claro que pede. Só que Deus não pode restaurar o clima que nós detonamos. Seria fácil demais, nós fazemos todo tipo de cagada, detonamos com o planeta inteiro, e aí pedimos a Deus que resolva milagrosamente, que restaure o planeta, ou culpamos Deus por não ter evitado a tragédia.

Costumo dizer para as pessoas, que orar pela interrupção do aquecimento global não vai resolver coisa nenhuma. O que vai resolver é agir, tomar atitudes. Colocar mãos a obra e se comprometer de verdade em consumir menos, poluir menos, ter uma vida mais simples, respeitar o planeta que também é com um organismo vivo. Orar vai ajudar a mudar mais a sua mente do que empurrar Deus a fazer alguma coisa. Porque é a nossa mentalidade que precisa ser mudada, não a de Deus.

Acredito também que Deus está em cada pessoa, e que é real essa conexão invisível entre todos os seres humanos. A mente humana ainda possui muitos mistérios a desvendar. Também gosto de dizer que nós somos o corpo de Deus aqui na Terra, somos os braços dEle que estendem a mão a quem está caído, os pés dEle que caminham até quem está precisando de ajuda, o colo que vai consolar alguém que precisa chorar... então cabem a nós as ações que muitas vezes achamos que devem vir dEle, q esperamos que caiam do céu. Alimentar os famintos, dar de beber a quem tem sede, teto a quem não tem onde morar, roupa para quem não tem o que vestir, consolo a quem sofre, compartilhar a vida, a morte.

Colocar um exército para orar pelos famintos, não vai adiantar nada, vai apenas aliviar a consciência de quem acha que está fazendo alguma coisa, sentado no banco da igreja repetindo orações. Seria melhor fazer cada um dos membros desse exército de crentes, além de orar, doar um prato de comida, uma cesta básica. Acredito que o evangelho exige também ação, e que a oração não é para convencer Deus a se mexer, e sim, para mudar a nós mesmos, e nos empurrar a fazer o que é necessário. Orar pelo fim da corrupção no Brasil não vai adiantar, se não fazemos nada contra isso na prática, e se até os crentes que se envolvem com política, são também corruptos, em vez de darem exemplo de integridade. Ungir cidades com óleo e fazer atos proféticos para "entregar cidades a Jesus", não vai adiantar nada, porque seguir Jesus é uma escolha pessoal.

Deus não passa por cima da vontade de ninguém desse jeito. Acredito que se Deus nos ama, somos livres para fazer nossas escolhas, porque não existe amor, sem liberdade. Não posso ser coagida a amar Deus. Mas também ficamos sujeitos às conseqüências das escolhas que fizermos. Não tenho direito de pedir que Ele me cure de um câncer de pulmão, se eu sabia que fumando, corria o risco de ter um câncer. Sim, tem muitas pessoas que nunca fizeram nada para procurar doenças, e morrem de câncer, mas aí é contingência da vida, nosso DNA pode ter falhas que provocam o aparecimento de câncer, nossa comida tem produtos químicos cancerígenos que muitas vezes nem sabemos, o ar que respiramos está cheio de poluentes também cancerígenos.
Deus não tem obrigação de trabalhar em cima de tantas variáveis para evitar que um crente tenha câncer.. Ele não faz isso... pode ajudar a pessoa a lidar com a doença, e se recuperar mais rapidamente, ou simplesmente aceitar a inevitabilidade da morte com mais tranqüilidade, e isso tem comprovação científica. Nosso sistema imunológico é muito influenciado pela nossa atitude mental, e a fé ajuda nesses casos a estimular o sistema imune. Mas nunca, jamais diria a alguém para deixar de se tratar devidamente com médicos e ficar só orando pela cura, como muitos pastores criminosos fazem.

Tempos atrás vi uma campanha para reunir um determinado número de pessoas (era um número gigantesco de pessoas envolvidas) para fazer cópias manuscritas da bíblia, para serem guardadas em museus. Pensei comigo: já pensou se os crentes se mobilizassem dessa forma, para ajudar pessoas necessitadas, em vez de se unir em propósitos inúteis como esse? Um milagre aconteceria. Já pensou se todos esses que se dizem seguidores de Jesus, fizessem o que ele ensinou (amar os inimigos, dar a outra face, cuidar dos órfãos e das viúvas etc.), o tamanho do milagre que aconteceria? Mas ficamos pedindo e esperando intervenção sobrenatural, queremos que Deus faça o que Ele ordenou que NÓS fizéssemos. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Claro que Ele não faz nossa parte. O amor de Deus é vivo, está em nós e precisa ser movimentado por nós. Se não fazemos nem o que poderíamos estar fazendo, podemos acusar Deus e exigir intervenção sobrenatural?

Auschwitz aconteceu, não porque Deus permitiu que Hitler fizesse o que fez, mas porque as pessoas que deviam ter feito alguma coisa efetiva para impedir, nada fizeram, a não ser quando já era tarde demais. E o próprio Hitler, como consta no Mein Kampf, acreditava estar imbuído de uma missão divina. E agora? E as duas bombas atômicas foram tão criminosas quanto os campos de concentração. Não acredito em guerra santa, não acredito que Deus precisa ser defendido ou protegido de coisa alguma.

Não acredito também que Deus protege sempre mais os crentes do que os outros. Sempre acontecem acidentes nas estradas, com ônibus cheios de crentes, onde muitos deles morrem. Acidentes são acidentes, acontecem com qualquer um. Eu jamais diria, caso fosse a única sobrevivente de um acidente, que foi Deus quem me livrou ou salvou. Não acho que tenha qualquer direito a vida mais do que qualquer outra pessoa, não me considero melhor do que os outros por ser cristã. Não nego que antes de viajar de ônibus, coisa que faço com frequência, costumo orar e pedir a Deus que possamos chegar ao destino com segurança. Não sei dizer com certeza se isso faz alguma diferença, faço, porque de qualquer forma me sinto bem orando desta forma, pedindo por todos os passageiros, sem nem saber quais são cristãos e quais não são. Acredito em oração, acredito que oração pode ajudar as pessoas, além de fazer bem a nós mesmos orar pelos outros, porque tira o foco do nosso próprio umbigo, mas não creio que ela seja capaz de proporcionar mudanças drásticas no mundo físico: fazer chover ou parar de chover, abrir o mar, e coisas assim. A maioria das mudanças teria a ver com trocas de energia, porque a oração é um exercício mental, e o cérebro é um órgão que gasta muita energia, principalmente quando está concentrado em algo.

Eu, como hiperativa que sou, depois que adquiri o hábito de orar antes de dormir, passei a ter noites de sono bem melhores. Orar antes de dormir, de forma silenciosa, me faz bem. E já houve ocasiões inexplicáveis, onde acordei no meio da noite, do nada, e me coloquei a orar por outras pessoas, sem saber nem o motivo. Depois, acabava descobrindo. E acredito que ter um absoluto como Deus, nos faz ter uma relação mais equilibrada com os outros e conosco mesmos. Se creio que Deus habita em mim e em todos os demais, passo a ver os outros e a mim mesma, com outros olhos. E isso realmente acontece, com as pessoas que conseguem entender que Deus é amor. Não são todas. Infelizmente. Mas se Deus tem um propósito para a vida de cada um de nós, esse propósito certamente tem a ver com expressar amor pelas pessoas. Repito sempre também, que cada um tem o Deus que merece. Tem gente que precisa de um Deus malvado e tirano pra andar na linha, tem outras pessoas que são de bom caráter naturalmente, então não conseguem ver Deus dessa forma castigadora e vingativa. E teologias diferentes, muitas vezes são apenas pedaços de um mesmo grande todo, do qual cada um consegue ver só uma parte.

Não costumo orar pedindo coisas a Deus, é mais freqüente orar por necessidades de outros, e usar a oração como um momento de desabafar, falar sobre alegrias, tristezas, raiva, em vez de descontar nos outros, converso com Deus, e fico em paz. Brinco dizendo que em vez de gastar com terapia, ou me estressar brigando com as pessoas, eu oro, e fica tudo bem... = P E já senti aquela paz que "vem do alto", que muitas vezes me impede de gastar energia e ficar doente me preocupando com coisas que não tenho como resolver, que não dependem apenas de mim. De alguma forma, é melhor deixar essas coisas que não se pode controlar, "na mão de Deus", e aceitar os resultados, sejam quais forem, bons ou maus. Ajuda a levar a vida de uma forma bem mais leve, não se conformando com aquelas coisas onde vc pode interferir e atuando nelas ativamente até onde for possível, e abrindo mão do resto, e abrir mão também de se desgastar se preocupando com o resto. Posso dizer por mim, que o hábito de orar só me trouxe benefícios nesse sentido.

Sou fã de Joseph Campbell, acredito que os estudos dele ajudam a ver a religião em seu verdadeiro papel. Recomendo a leitura dos livros dele.

E acho sim que dizer um simples "não sei" seria melhor do que muitas teorias e teologias mirabolantes que vejo por aí. Se me perguntam como foi que Deus se envolveu na evolução biológica, eu não sei e respondo que não sei. Só sei que a evolução biológica acontece, porque a ciência me diz isso. E creio que a fé pode realizar coisas como curas, mas em casos bastante específicos, e pode também ajudar as pessoas a encararem a vida de uma forma mais positiva; assim como ver os outros como imagem de Deus nos torna pessoas mais compassivas, pacientes. Mas tudo necessita ser treinado, exercitado. É uma escolha diária.

Não sei de muita coisa, muito a aprender ainda, mas tenho certeza que nenhuma religião que não leve as pessoas a viverem melhor umas com as outras, consigo mesmas e com o planeta, merece ser considerada verdadeira religião. Porque a essência da religião é "religar" coisas que estavam distantes. E não causar guerras, divisões, brigas teológicas, nada disso vem de Deus. Nenhuma religião que não gere amor e paz e que não leve as pessoas a transformar a realidade, inclusive a social, pode ser considerada verdadeira. Não para mim, pelo menos. O homem é um ser religioso por natureza, mas precisa direcionar isso de forma positiva. Não importa tanto provar se Deus existe ou não, mas sim saber que o homem tem essa necessidade religiosa dentro dele, tem esse lado espiritual que precisa ser bem orientado. E o papel dos líderes religiosos, no caso, é esse, levar as pessoas a expressar essa religiosidade, inerente ao ser humano, de forma positiva, saudável, que gere amor por si mesmas, por Deus, pelo próximo e pelo planeta. E não sentimentos tribais, de "povo escolhido", melhor do que os outros, ou o medo doentio do inferno e do castigo eterno, e também não se tornar massa de manobra pra uma casta sacerdotal se locupletar.

E a religião proposta por Jesus é simples, linda e simples. Nós que complicamos. Não digo que seja fácil executar, não é, mas só tentando, já podemos trazer alguma melhoria para nossas vidas e para a vida das pessoas próximas.

Uma boa noite e um grande abraço!

Andrea

domingo, 31 de janeiro de 2010

A Biblia e a Palavra de Deus

A Bíblia é Palavra de Deus não porque algumas pessoas tenham sido escolhidas por Deus como o instrumento material de uma transmissão mecânica de palavras “físicas” que Deus tenha ditado.

A Bíblia é Palavra de Deus para nós que cremos que Deus escolheu, no curso de muitos séculos, homens (e talvez mulheres) suficientemente religiosos e inteligentes (inspirados) para perceber uma verdadeira manifestação da vontade divina, de seu desejo de guiar a seu povo, a comunidade hebraica, a comunidade de Jesus, os homens de todos os tempos, por um caminho de verdade, de justiça e de santidade, em uma série de acontecimentos e ditos que outros teriam considerado como “banais” e “mundanos”, ou como simples produto da sabedoria humana ou até histeria religiosa.



A Biblia deve ser lida ao longo de seculos. Essa leitura, a partir de situações e necessidades diferentes, poderá levar a colocar determinados acentos em um periodo, e não em outro: acentos morais, politicos, culturais, misticos. Importante é que a reflexão de conjunto da comunidade cristã esteja em condições de perceber em cada momento os elementos que são substanciais e aqueles que são marginais no conjunto do testemunho transmitido e da fé vivida. A leitura e a interpretação da Sagrada Escritura recomeçam a cada época, com cada cultura, com cada individuo e abrem-se sempre para um futuro cada vez mais pleno, que assume e plenifica as interpretações precedentes.


Horacio Simian Yofre - Professor ordinario de Antigo Testamento no Pontificio Instituto Biblico de Roma


Avatar - O filme

Por Francisco Thiago

Sem muitas pretensões, guardei o domingo para dar uma saidinha com a namorada. Nossa opção era o cinema (somos pouco criativos) e os filme candidatos eram dois: 2012 e Avatar. Eu queria 2012 (queria ver o fim do mundo em 3D) ela queria Avatar... Fomos assistir Avatar.Comprei os Ingressos pela Ingresso.com. Apesar da taxa de conveniência, comprar pela internet é a melhor solução para quem não quer pegar fila e garantir o seu ingresso, apesar dos adolescentes tresloucados por "Crepúsculo" ou o próximo blockbuster adolescente. Aconselho!

Enfim, chegamos atrasados (eu estava comendo) mas não o suficiente para não compreender a história (ainda que os traillers já a tenham deixado o "mote" do filme bem claro). O filme é um show para os olhos. James Cameron (que não é uma das Panteras) gastou muito bem cada centavo do filme. O visual é mágico, os seres do planeta Pandora são de uma concepção artística muito bela e curiosa. É interessante notar traços da personalidade - e da aparência, no caso dos "avatares humanos" - pintados nos Na'vi, os nativos de Pandora.

O roteiro também é bem amarrado. Apesar de usar a clássica saga do herói - o cara "nada a ver" que se torna o The Chosen One - o filme está longe de ser piegas ou apelativo. Os detalhes da história estão bem amarrados e nada, no filme, surge do acaso (a não ser uma estação avançada que, ao meu ver, não tinha muita razão de ser). Enfim, o filme é lindo. E daqueles que compensa serem assistidos no Cinema - e em uma sala 3D. A propósito, assista dublado e bem próximo da tela. Não tenha medo da dublagem (que está ótima) e nem medo de ficar com o pescoço dolorido. Pode acreditar, você não vai querer ler legendas quando o monstro pular da tela pra cima de você... E tão pouco ser trazido ao mundo real graças a sua visão periférica.


A história
É inevitável falar que o filme tem sim um fundo ambientalista. Basicamente, os empresários e militares - aqueles malditos - estão querendo, a todo custo, um mineral muito caro que pode ser encontrado em abundância no Planeta Pandora e embaixo da colônia de um clã nativo. É enviado um "cabeça de prego" - o nosso messias - para aprender os costumes e tentar "negociar" uma mudança daqueles Na'vi. No processo, ele acaba aprendendo a filosofia dos Na'vi e se apaixonando. por Neytiri, a filha do chefe do clã. No final das contas, aquele que veio para roubar, matar e destruir, acaba se convertendo ao modo de vida dos Na'vi e os defendendo da maldita raça humana. Clichê. Mas muito bonito.

Referências
As referências - ou Easter Egg's, para os Nerds - estão presentes em toda a história. Detalhe que identifica o espectador e transforma o filme em uma deliciosa descoberta a cada "assistida". Começamos com o nome da raça. O nome Na'vi está bem próximo da palavra hebraica que é utilizada para definir "profeta". E verdadeiramente, eles tem algo para contar. De forma intrigante, eles fazem parte do futuro e do passado que o filme anuncia. Um planeta terra decadente que explora outros planetas e estrupa outras culturas. São seguidores de uma religião (por falta de palavra melhor) que tem Eywa como divindade principal. Segundo sua crença, a energia (vital) é emprestada a todos os seres vivos. E que, ao final da vida, esta energia é devolvida para Eywa. O relascionamento dos Na'vi com os seres vivos do planeta lembra, de certa forma, a filosofia budista e rasta também. A integração entre os seres vivos fica clara nas cenas onde Neytiri mata os cachorros selvagens e na forma como eles se conectam com os animais que montam. Até as longas madeixas tem um "porquê".
O nome do planeta também é uma referência externa interessante ao mito de Pandora. Sabe-se que Pandora portava uma caixa que em hipóteses alguma deveria ser aberta. CLARO que ela abriu e deixou escapar tudo o que havia de mal. Quando ela fechou a caixa, só conseguiu prender o que havia de bom. Seria o planeta Pandora "tudo de bom"?
A forma como os nativos se cumprimentam - Eu vejo dentro de você - de alguma forma me faz lembrar muito da forma Namastê utilizada pelos Indianos e também pelo cumprimento de algumas tribos africanas, que tem o mesmo conceito. O Deus que habita em mim é o mesmo Deus que habita em você. Eu conheço você!

Teria algo de Teologia Liberal neste filme?
É algo difícil de se afirmar, uma vez que o conceito de "Teologia Liberal" está bem gasto e já se cria um "senso comum" a respeito do termo. No entanto, ligações entre o que se chama de teologia liberal hoje são plausíveis.
A crença dos Na'vi - onde Eywa recebe de volta toda a energia utilizada pelos seres viventes - se encaixa muito com os conceitos criacionistas mais recentes.
Os cientistas que estão investigando o planeta Pandora, descobrem uma ligação entre todos os seres. Como se fosse um sistema neural muito sofisticado, todo o planeta estaria interligado através dessa rede. Os humanos e os outros animais se ligam a essa rede através de terminais presentes em seus cabelos. Eles se ligam a Eywa quando querem. Dessa forma, Eywa está em tudo e em todos. Seria isso uma sombra do PanEnTeísmo?
Uma última e forte observação. No final do filme, ao pé da Árvore sagrada, acontece um ritual onde Jake Sully - o "messias cabeça de prego" - é transportado de modo definitivo para o seu avatar. Creio que a ligação é clara. Jake Sully está se convertendo em um Na'vi. Ao passar definitivamente para o corpo do seu Avatar ele transforma-se numa nova criatura de fato. A transformação e o discipulado dos Na'vi acaba sendo melhor que o de muitas igrejas, já que Jake Sully não é motivado a fazer o que faz por conta de leis e proibições. Ele faz por conta da sua própria consciência.
Pra sorte dele, os Na'vi não acreditam em jugo desigual. Deu pra ele conhecer a Neyriti no sentido bíblico da coisa.

Palavra final
Assistam ao filme. E depois me contem o que acharam!

Abraços do Amado

*Imagens extraídas do site Cinema em Casa e de pesquisa no Google Imagens.

Fonte: http://projeto5.blogspot.com/2009/12/avatar.html

Reflexão: Não quero mais ser evangélico!!!!

** Excelente texto. Embora um pouco antigo, mas não desatualizado. Autoria do Pr. Ariovaldo Ramos**

'Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas'. Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do 'Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil'.

Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo 'evangélico' perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por 'profissionais da fé'. Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

Chega dessa 'diabose'! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome 'meu', mas, o pronome 'nosso'.

Para que os títulos: 'pastor', 'reverendo', 'bispo', 'apóstolo', o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, 'onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei' de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!

Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao 'instruí-vos uns aos outros' (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: 'Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. '(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras 'todo o Evangelho ao homem... a todos os homens'. Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que 'acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos', sem adulterar a mensagem.

Fonte: Publicado em 23 de junho de 2003 no site da Rede Sepal, de autoria do Pastor Ariovaldo Ramos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Perto de Deus - Cidade Negra

Yeah!
Me dê sua mão agora
Sair por aí
E ver o mundo afora
Sonhar, chegar...

Não quero
Dizer tudo que eu sinto
E o que eu vivi
A vida
Tá sendo boa agora
Cantar, chegar...

Perto de Deus

Yeah!
Me dê sua mão agora
Cantei, senti
Que a vida tá lá fora
Cantar, voar...

Eu tive as chances
Que uma vida
Pode dar pra alguém
Cantei
Assim senti
Que fui muito mais além
Chegar, ficar...

Perto de Deus

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Analfabetos bíblicos

Se existe uma coisa que eu gostaria que acontecesse neste Brasil seria uma perseguição religiosa, com a proibição de se abrirem igrejas pentecostais, ou melhor, peStecostais, pois estas têm explorado a população mais pobre do país, a qual, em busca de milagres, tem lotado os galpões e catedrais, onde essas igrejas fazem suas espúrias reuniões, pregando um falso evangelho. Elas começam funcionando em galpões alugados e, pouco tempo depois, com a extorsão dos dízimos e ofertas, tornam-se proprietárias de edifícios enormes, ao mesmo tempo em que os seus fundadores se locupletam do dinheiro dos pobres, o qual é enviado aos bancos internacionais. E os infelizes enganados pelos seus ardis religiosos vão ficando cada dia mais pobres, aguardando os milagres prometidos, pois os falsos pastores sempre usam a desculpa de que o crente “não recebeu o milagre porque sua fé não foi suficiente”.

No caso de uma perseguição religiosa, com o fechamento dessas igrejas, os cristãos iriam se reunir em locais discretos, sem barulho algum e sem extorsão contra os membros, com uma permissão oficial, como acontece em alguns países, onde o verdadeiro Cristianismo tem florescido de maneira extraordinária. O Cristianismo do primeiro século floresceu exatamente porque foi perseguido e quem ao mesmo se filiou era realmente um crente que amava Jesus Cristo e desejava crescer na graça e conhecimento de Sua Palavra Santa.

Hoje em dia, a maioria das pessoas corre para uma igreja pentecostal - como as igrejas da IURD, do R. R. Soares, as do “apóstolo” Waldomiro Santiago, e outras imitações baratas, em busca de poder e milagres. Por isso esses jacarés espirituais, aproveitando a ignorância secular e bíblica dos seus membros, exploram-nos à vontade, vendendo promessas e milagres, que nunca se realizam. E como “a esperança é a última que morre”, as vítimas desses mentirosos continuam enchendo os gazofilácios de suas “sinagogas”, esperando algo de bom, que jamais vai acontecer...

Um desses meliantes do Evangelho, o “apóstolo” Waldomiro Santiago, vende CDs, lenços ungidos e, tendo visto a prosperidade do negócio embasado na ignorância dos seus frequentadores, agora está vendendo também água da torneira, engarrafada em potinhos plásticos, garantindo que se trata de água ungida de poder, para curar todos os males e dar prosperidade financeira. Mas o que se poderia esperar de um “apóstolo”, que exige 30% de dízimo de suas vítimas?

Segundo as notícias da mídia, esses falsos bispos e apóstolos têm por hábito abrir igrejas sem alvará, não pagando os aluguéis em dia e, quando a fiscalização aperta, eles fecham a igreja “perseguida” e procuram outro bairro da cidade grande, onde abrem outra igreja, levando suas vítimas para lá e ganhando novas vítimas para o seu escuso negócio religioso.

Antigamente, eu costumava escrever contra os erros e heresias do Catolicismo Romano. Mas depois de ter começado a investigar os crimes praticados pelos falsos pastores “evangélicos”, resolvi deixar o papa de lado e me voltar para esses espertalhões, que são bem piores. O Catolicismo Romano prega a idolatria de imagens, rosário, água benta, etc., mas é menos ganancioso e tem mais classe do que essa religião que nada tem de evangélica, sendo realmente kakangélica, pois prega um falso evangelho e explora os que acreditam nas lorotas dos seus fundadores.

E quem achar que estou arrependida por ter abandonado o Catolicismo e me tornando protestante, fique sabendo que eu não me converti a uma religião, mas a Jesus Cristo, lendo a BÍBLIA; por isso não corro o menor risco de voltar à religião do papa.

O segredo da expansão do chamado “evangelho da fé/prosperidade” é que os espertos pregadores prometem curas e milagres, aproveitando as passagens bíblicas que dão a falsa impressão de que eles estão pregando a verdade e, desse modo, vão enganando os pobres brasileiros, que estão sempre à espera de algo melhor que possa acontecer em suas vidas.

Os pregadores pentecostais e “avivados” gostam de pregar o Velho Testamento, no qual Deus promete riqueza aos judeus obedientes à Lei de Moisés e, usando a falsa teologia católica dominionista de que “Israel foi extinta para sempre e que a Igreja é a nova Israel de Deus”, eles vão prometendo mundos e fundos aos cristãos, apropriando-se indevidamente das promessas divinas escritas (e entregues) exclusivamente para os judeus, na próxima dispensação judaica, a segunda (verdadeira) dispensação pentecostal.

Muitos pentecas fanáticos (e também católicos papistas) costumam me escrever com injúrias, criticando meus artigos. Mas para toda essa gente iludida por sofismas religiosos, tenho a uma boa lixeira, onde sempre caem os e-mails indigestos, que nem me dou ao trabalho de ler, além da primeira linha (os primeiros) e nem sequer uma palavra, a partir dos seguintes, pois não tenho tempo a perder com esses analfabetos bíblicos!

Mary Schultze

Fonte: http://www.maryschultze.com/news.php?readmore=172

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Como Zaqueu ??????

Queria falar sobre essa musica que tem sido cantada pelos quatro cantos do país, tanto pelos evangélicos, como pelos catolicos e afins. A musica tem sido tocada exaustivamente em rádios e TVs, seja qual segmento for, e em diversos ritmos, desde o pagode ao funk. Se tornou uma febre.

Eu nunca havia entendido porque eu nunca gostei dessa musica, desde a primeira vez que ouvi. Não era apenas só porque as primeiras pessoas que ouvi cantando esta música tinham uma vida totalmente fora dos caminhos de Cristo, vivendo um grande teatro, uma farsa que me dá náuseas só de lembrar. Tinha algo alem disso. Mas eu precisava entender o por quê.

O tempo passava e eu tinha apenas aversão a esta musica, sem saber explicar o motivo. Todas as vezes que ela tocava perto de mim eu tinha vontade de sair correndo e ficar o mais longe possível dela. E eu me indagava: é necessário descobrir a razão pela qual essa canção me incomodava.

Depois de algum tempo, eu vi esse vídeo na internet, uma parodia da musica:


http://www.youtube.com/watch?v=f-eOkW4gOwA

Então a ficha caiu e pude concluir porque eu nunca tinha gostado desta musica. A canção diz: “Me ensina a ter santidade”. Onde no texto Zaqueu disse isso? Zaqueu disse assim: "Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais" (Lucas 19.8, NVI)

Zaqueu era uma pessoa corrompida pelo dinheiro, e quando encontrou Jesus percebeu que não podia mais ser escravo do dinheiro. Era necessário mudar sua postura em relação ao dinheiro.

Logo em seguida, Jesus lhe disse: "Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão.” (Lucas 19.9, NVI)
Jesus disse que houve salvação não porque Ele entrou na casa de Zaqueu, mas porque Zaqueu escolheu mudar sua postura em relação ao dinheiro. Muitos acreditam que se uma pessoa convidar Jesus para entrar no seu coração (assim como Jesus entrou na casa de Zaqueu) a salvação chegou.

Não. É preciso abrir mão de tudo o que nos prende a esse mundo, e se houver algo a ser corrigido, ai sim terá salvação na sua casa (na sua vida)

Então pude entender o porque desta musica me incomodar tanto. Descobri que, na verdade, esta musica que as pessoas estão cantando é uma das musicas que mais escondem um desejo oculto nas pessoas de nossa geração. O que na verdade as pessoas estão desejosas de cantar foi feito esplendidamente por esses dois rapazes do vídeo acima. Eles conseguiram sintetizar o sentimento que existe no coração das pessoas hoje que estão buscando a igreja: querem apenas dinheiro. O deus que estas pessoas servem se chama Mamom, o deus que Cristo apontou em Mateus 6.24.

Se o autor da musica tivesse sido fiel ao texto bíblico e cantando: “Me ensina a perder o amor ao dinheiro” ou então “Me ensina a devolver o que não é meu”, ou “Me ensina a dividir o meu dinheiro com os pobres”, teria ensinado uma grande lição e uma grande verdade bíblica. Mas não venderia tantos CDs e não teria sua musica tocada pelo Brasil afora. E entre cantar a verdade e ganhar dinheiro, o que vocês acham que uma pessoa vai escolher?

Se ele tivesse cantado o que a Bíblia realmente diz sobre a historia de Zaqueu, talvez a reação das pessoas seria como a do jovem rico: achariam o discurso lindo, mas voltariam para suas casas preocupadas com suas riquezas e com suas posses.

Me ensina a ter santidade é muito vago, se voce partir do pressuposto de que muita gente tem sua interpretação para o que é ter santidade. E tudo o que as pessoas querem é uma religião vaga, sem muita explicação, uma fé apenas de sentimentos, sem mudança de atitudes.

Agora, cantar “Me ensina a perder o amor ao dinheiro” ou então “Me ensina a devolver tudo o que não é meu”, ou “Me ensina a dividir o meu dinheiro com os pobres” é direto e não tem outra forma de interpretar.

Me ensina a ter santidade........Como Zaqueu? Foi essa a sua atitude perante Jesus?

(Os rapazes do vídeo acima disseram que a musica é apenas uma brincadeira, não tiveram que a coragem de dizer que é isto que está dentro dos corações daqueles que só querem o dinheiro. É preciso respeitar então a postura deles, de dizerem que é apenas uma brincadeira. Mas existem outras pessoas que fizeram outras parodias com esta musica e não se envergonharam de falar a verdade. Vale a pena ver esse outro vídeo também: http://www.youtube.com/watch?v=QHIyaZXPstM&feature=related)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Deixei de ser evangelico para me tornar cristão

Evangélico ou Cristão?

“…Porque eu não me envergonho do evangelho… mas, de ser evangélico” Romanos 1:16 (paráfrase do autor)

Hoje, após anos caminhando no meio do cristianismo e sendo tratado como “evangélico”; depois de sofrer com o descaso e com a sujeira que se instalou no meio religioso; diante da exploração imoral da fé e de pessoas; das decepções que acumulei nestes últimos tempos com a igreja, tomei uma decisão importante para a minha vida espiritual. Para tanto me debrucei sobre a Bíblia e criteriosamente analisei todos os fundamentos que definem o comportamento de alguém efetivamente comprometido com os ensinos de Jesus. Li com exaustão Atos dos Apóstolos para só depois tomar a decisão que achei a mais sensata diante do quadro que se instalou no meio religioso. Assim, deixei de ser mais um “evangélico” e decidi ser “cristão assumido”.

Você pode estar pensando que é tudo a mesma coisa, que não há qualquer diferença nas duas expressões, mas apesar de se assemelharem, definitivamente não há como serem associadas. Não da forma como pregam por aí nos transatlânticos da fé ancorados em quase todas as esquinas das cidades ou nos supermercados religiosos que vivem abarrotados de pessoas à procura de novidades. Aliás, vale salientar que os discípulos foram, em Antioquia, reconhecidos como “cristãos” e não como “evangélicos”. – Atos 11:26

Você pode estar me chamando de maluco ou desinformado; pode estar me considerando um herege; um rebelde frustrado, mas diga-me, quem são os “evangélicos” hoje? Que atributos credenciam alguém ao titulo de ser “evangélico”? Sugiro que você, antes de um prejulgamento contra a minha pessoa, faça uma lista contendo um nome de expressão no Brasil, no seu estado e em sua cidade, de alguém que você considera evangélico, pessoas que estejam ligadas à política, meio empresarial, educação, saúde ou órgão do governo.

Não vou exigir muito, estes me servirão como base para a minha tese. Vamos continuar o exercício, agora me diga, dos nomes que você listou, em qual desses setores você pode dizer com todas as palavras que “põe a mão no fogo” pelos indicados? Para qual dos escolhidos você seria capaz de ir aos tribunais defendê-lo na sua conduta como “evangélico”? Se a lista fosse minha, nenhum! E olha que não estou sendo radical, apenas sincero. É isto mesmo, a banalização do evangelho com práticas construídas sobre interesses denominacionais e não sob as ordenanças Divinas me dão sustentação suficiente para fundamentar os meus argumentos e a minha defesa. Cansei de ver raposa tomando conta de galinheiro.

Obviamente que existe ainda um grupo de pessoas com boas intenções, gente que de alguma forma busca viver o que prega, que ainda acreditam na propagação do evangelho como único instrumento capaz de satisfazer aos anseios do coração e da alma do homem. Louvo a Deus por estes que ainda resistem bravamente às investidas de satanás contra a igreja de Cristo e espero que não desistam de seus objetivos.

Já ao final de seu ministério, Charles Spurgeon* escreveu uma série de artigos intitulados “O Declínio” onde ele estava advertindo a igreja de seus dias, lá no passado, quanto ao fato de que o cristianismo estava em declínio e, o que era pior, o ímpeto de descida parecia estar vencendo todas as tentativas de conter esta decadência. Os líderes cristãos estavam se tornando mundanos, espiritualmente frios e tolerantes aos erros doutrinários. Isso acontecia em tal nível que Spurgeon tinha receios de que a igreja perderia completamente o seu testemunho. Infelizmente, a previsão de Spurgeon se tornou em realidade insofismável hoje.

Lamentavelmente o que vemos é muito mais gente que usa do titulo de “evangélico” para se esconder, para se auto-promoverem, para ganharem um bom dinheiro, contrariando com comportamentos condenáveis o que na verdade significa ser “evangélico”. O rotulo, mesmo falsificado, neste caso enseja confiança aos desavisados. Para onde foram os bons costumes? Onde está o senso de moral? O mundo encontra-se hoje numa situação vergonhosa e desesperadora, no entanto, os seus habitantes não têm vergonha do que fazem ou dizem e muitos encontraram na religião um lugar seguro para agirem sem serem incomodados.

Me envergonho do evangelho ao ligar a televisão e ver homens inescrupulosos negociando com a fé das pessoas; ao saber que na frente das telas da TV há muitos pobres evangélicos aprovando e até contribuindo com tudo que é mostrado ali; ao ver o comércio da fé sendo explorado livremente nas igrejas eletrônicas onde vende-se de tudo; ao ver a religião evangélica fazendo parcerias indissolúveis com o inimigo; ao ver líderes atrelados, andando de mãos dadas com o diabo na maior naturalidade. Me envergonho ao ver homens mudando a verdade de Deus em mentiras, honrando e servindo mais a criatura do que ao Criador; Quanto dinheiro jogado fora nas fossas podres da religiosidade permissiva, nociva à sociedade e à vida espiritual. Quanta vergonha! Vergonha acompanhada por um misto de indignação e revolta, pois mesmo com todo o meu protesto e o meu esforço, percebo que a coisa caminha para o retrocesso rumo a um abismo espiritual intransponível.

Me cansei de carregar na testa o rotulo de evangélico. São todos iguais, afirmam as pessoas, colocando todo mundo num mesmo patamar, misturando joio e trigo em um só saco. Justos e pecadores, sérios ou não, todos sem distinção estão, pelas palavras da sociedade comungando comportamentos religiosos semelhantes. Os “evangélicos” lamentavelmente são os que mais enganam, os que faltam com a honra da palavra, os que difamam, subjugam pessoas, envolvem-se em escândalos espreitam a derrota, inclusive, dos próprios “irmãos da igreja”; são os que mais se divorciam segundo dados, os que mais sabem apontar o indicador de condenação, os que matam o amor pregando o amor. Cansei-me dos chavões, dos sermões e palavras construídas sob encomenda, pois de nada adianta falar do amor de Deus enquanto pessoas, do lado de fora dos templos, estão sem entender o barulho que se faz lá dentro.

Do outro lado o que vemos, no entanto, são pessoas simples dividindo o pouco que têm, com seus semelhantes sem ter nenhuma denominação religiosa por trás, enquanto muita gente que diz ser “servo de Deus”, e até se orgulham disto, com tudo que precisam e mais alguma coisa; com todos os pressupostos de felicidade à disposição, gente de triunfo, de sucesso, que pouco ou nada fazem, mesmo tendo muito mais do que precisam para viverem uma vida tranqüila.

Ser “evangélico” está na moda, ser “cristão” não. O primeiro é bonito, é moderno, é diferente, é místico, é favorável e em alguns casos dá status. O segundo pelo contrário não atrai pelas exigências de fidelidade e comprometimento sincero com princípios que poucos estão dispostos a arcarem com o peso que eles colocam sobre os ombros. Basta só dar uma espiadinha na lista de artistas, de jogadores e de políticos que se declaram “evangélicos” todos os dias… Ter um destes no rol de freqüentadores da igreja pode render bons lucros. Quanta hipocrisia! Quanta enganação!

Por tudo que relatei acima tomei a decisão de abandonar a fachada de “evangélico” para ser apenas “cristão”. Decidi viver bem com Deus, sem, no entanto, fazer propósitos irracionais, sem viver na alienação dos temores, sem ser forçado à obediência a líderes que intimidam e não pregam o evangelho. Decidi ser mais espiritual, mais humano, mais emocional, mais racional, mais sensível. Decidi ainda a abandonar a religiosidade vazia fundamentada em formas e resolvi correr atrás de conteúdo, algo que preencha todos os vazios do meu coração e da minha alma. Quero ser cheio de compaixão, exprimir amor na sua profundidade e na sua extensão, quero entender o sofrimento alheio. Quero, simplesmente, ser “cristão”.

* – Charles Haddon Spurgeon, foi um pastor batista britânico, que morreu em 1892.

Extraido do site solomon1.com

Autor: Carlos Roberto Martins de Souza

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um bate-papo com C.S. Lewis

Por Daniel Grubba

Resolvi trocar umas idéias com C.S. Lewis (1898 – 1963). É isso mesmo. Estou curioso para saber o que este gigante da fé cristã pensa sobre Teologia e espiritualidade.


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Provavelmente você deve estar achando muito estranho alguém em 2009 entrevistar o “mais relutantes dos convertidos”* postumamente, não é mesmo? Você deve estar se perguntando: Será que o Daniel consultou o espírito de Lewis através da necromancia?

Na verdade queridos leitores, eu elaborei as perguntas, e as palavras registradas em dois de seus livros me responderam com exatidão (Cristianismo puro e simples, p.203-206 e na última pergunta consultei Peso de gloria, p. 61,62). Foi deste modo, bem simples.

* Devo lhes dizer que todas as respostas de Lewis foram retiradas integralmente dos livros citados, sem qualquer tipo de acréscimo ou recurso literário de minha parte.

****Bate-papo com Lewis****

Porque você resolveu falar sobre Teologia em plena 2º guerra mundial para o leitor comum?

Todos me aconselharam a não lhes dizer o que vou dizer (...) Afirmam: “O leitor comum não quer saber de Teologia; dê-lhes somente a religião simples e prática.” Rejeitei o conselho. Não acho que o leitor comum seja um tolo.

Você realmente acredita que Teologia é importante para o leitor comum? E como você define Teologia?


Teologia significa “a Ciência de Deus”, e creio que todo homem que pensa sobre Deus gostaria de ter sobre ele a noção mais clara e mais precisa possível. Vocês não são crianças: porque, então, lhes tratar como tal?

Lewis, nós estudantes, ouvimos exaustivamente que Teologia é “letra que mata”, desnecessária para o crescimento saudável da fé, e que o mais importante é a experiência real com Deus. Você também acredita que as experiências com Deus são suficientes e muito mais proveitosas?


Em certo sentido, até compreendo por que algumas pessoas se sentem desconsertadas ou até incomodadas pela Teologia. Lembro-me de certa ocasião em que dava uma palestra para os pilotos da R.A.F. e um oficial velho e rijo levantou-se e disse: “Nada disso tem serventia para mim. Mas saiba que também sou um homem religioso. Sei que existe um Deus. Sozinho no deserto, a noite, já senti a presença dele: o tremendo mistério. Para qualquer um que tenha conhecido a realidade, todos eles (doutrina, dogmas e fórmulas) parecem mesquinhos, pedantes e irreais”. Ora, num certo sentido, até concordo com esse homem.

Quer dizer que o senhor concorda com o que este oficial lhe disse? Explique-nos melhor.

Creio que ele provavelmente teve uma experiência real com Deus no deserto. Quando se voltou da experiência para a doutrina cristã, acho que realmente passou de algo real para algo menos real. Da mesma maneira, um homem que já viu o Atlântico da praia e depois olha um mapa do Atlântico também está trocando a cosia real pela menos real: troca as ondas de verdade por um pedaço de papel colorido.

Bom Lewis, se for assim então, qual é a necessidade de estudarmos Teologia? Quem em sã consciência irá trocar as ondas de verdade (experiência real), por um pedaço de papel colorido (Teologia)?

Mas é exatamente essa a questão. Admito que o mapa (Teologia) não passa de uma folha de papel colorido.

****Intervalo para o chá****


Em off para Lewis: nós o convidamos para nos ajudar a defender a importância da Teologia. O senhor não percebe que está nos constrangendo publicamente? Deveríamos ter chamado Francis Schaeffer. Você precisa se esforçar para nos explicar melhor seu ponto de vista como um teólogo que já vendeu mais de 200 milhões de livros em mais de 30 línguas diferentes.

****Retomando a entrevista****

O senhor pode nos explicar melhor o que você quer dizer quando se refere a Teologia como um mapa colorido de papel?


O mapa não passa de uma folha de papel. Mas há duas coisas que devemos lembrar a seu respeito. Em primeiro lugar, ele se baseia nas experiências de centenas ou milhares de pessoas que navegaram pelas águas do verdadeiro oceano. Dessa forma, tem por trás de si uma massa de informações tão reais quanto se pode ter da beira da praia; com a diferença que, enquanto a sua (experiência) é um único relance, o mapa abarca e colige todas as experiências de diversas pessoas. Em segundo lugar, se você quer ir para algum lugar, o mapa é absolutamente necessário.

O que é então mais importante de acordo com seu ponto de vista: experiência ou teologia?


Enquanto você se contentar com caminhadas à beira da praia, seus vislumbres serão mais divertidos que o exame do mapa; mas o mapa será de mais valia que uma caminhada pela praia se você quiser ir para um lugar distante. A teologia é como um mapa. O simples ato de aprender e pensar sobre doutrinas cristãs, é sem dúvida menos real e menos instigante que o tipo de experiência que meu amigo teve no deserto. As doutrinas não são Deus, são como um mapa. Esse mapa, porem, é baseado nas experiências de centenas de pessoas que realmente tiveram contato com Deus (...) Além disso se você quiser progredir, precisará desse mapa.

Parece-nos que o senhor está afirmando que para o verdadeiro progresso na fé, o indispensável é o mapa e não a experiência. É isso mesmo?

Note que o que aconteceu com aquele homem no deserto pode ter isso real e certamente foi emocionante, mas não deu em nada. Não levou a lugar nenhum. Não há nada que possamos fazer.

Porque então é que as pessoas superlotam os lugares que prometem experiências concretas com Deus; e nossas escolas dominicais e reuniões de estudos bíblicos, estão sempre vazias?

Na verdade, é justamente por isso que uma religiosidade vaga – sentir Deus na natureza e assim por diante – é tão atraente. Ela é toda baseada em sensações e não dá trabalho algum: é como mirar as ondas da praia.

Isto não quer dizer que as experiências não sejam importantes, não é mesmo? Acontece Lewis, que tem uns teólogos por ai que colocam Jesus na Torre de Marfim das academias filosóficas e desejam aniquilar a possibilidade do contato pessoal com o divino.

Também não chegaremos a lugar algum, se ficar examinando os mapas sem fazer-se ao mar. E, se fizer-se ao mar sem um mapa, não estará seguro.

É muito importante ressaltar isso que o senhor acabou de falar. Tanto o mergulho no mar, quanto o mapa são importantes. Assim como você, também somos a favor deste equilíbrio. No entanto Lewis parece-nos que hoje em dia, somente a experiência tem valor. Sofremos muito preconceito por dedicarmos nosso tempo ao estudo teológico. Qual é, portanto, a importância da Teologia hoje em dia?

A Teologia é uma questão pratica, especialmente hoje em dia. No passado, quando havia menos instrução formal e menos discussões, talvez fosse possível passar com algumas poucas idéias simples sobre Deus. Hoje não é mais assim. Todo mundo lê, todo mundo presta atenção a discussões. Consequentemente, se você não der atenção à Teologia, isso não significa que não terá idéia alguma sobre Deus. Significa que terá, isto sim, uma porção de idéias erradas – idéias más, confusas, obsoletas.

Poxa Lewis. É exatamente isto que tem acontecido no Brasil. A falta da Teologia está levando a igreja a adotar idéias e praticas absolutamente estranhas a Revelação bíblica. O que você tem a dizer para estes que são os responsáveis por introduzir elementos anômalos ao seio da igreja evangélica nacional?

A imensa maioria das idéias que são disseminadas como novidades hoje em dia são as que os verdadeiros teólogos testaram vários séculos atrás e rejeitaram.

O que podemos fazer? Você acha importante o ministério apologético?

Ser ignorantes e simples agora - não estar aptos para enfrentar os inimigos em seu próprio campo - seria abrir mão de nossas armas e trair nossos irmãos sem formação acadêmica, que, abaixo de Deus, não ter nenhuma defesa contra os ataques intelectuais dos pagãos, a não ser a defesa que lhes podemos oferecer. (O peso de gloria, p. 61-62)

Obrigado Lewis, o senhor tem nos ajudado bastante em nosso crescimento espiritual.


***
Fonte: http://www.pulpitocristao.com/2009/08/um-bate-papo-com-cs-lewis.html

Autor: Esse texto é de autoria de Daniel Grubba, editor do Soli Deo Gloria
Não deixe de acessar: http://dlgrubba.blogspot.com/