sábado, 24 de outubro de 2009

Paradoxo do Nosso Tempo - George Carlin

Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos
rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV
demais e raramente estamos com Deus.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos
freqüentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos
à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a
rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas
não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,
mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos
menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais
informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos
comunicamos cada vez menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e
relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas
chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral
descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das
pílulas 'mágicas'.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na
dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te
permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar
'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas
não estarão aqui para sempre.

Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo,
pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o)
e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame...
se ame muito.

Um beijo e um abraço curam a dor,
quando vêm de lá de dentro.

Por isso, valorize sua familia e as pessoas que estão ao
seu lado, sempre.

domingo, 20 de setembro de 2009

Jesus e os cambistas

"Jesus expulsou os cambistas do templo. Será que também não expulsaria os pregadores que arrancam o dinheiro do povo usando programas de televisão? Será que também não gritaria de raiva, vendo os cristãos utilizando, sem pensar, técnicas de propaganda para vender livros, fitas, camisetas?"
John White, Comunidade Vineyard, Vancouver, Canada.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

indulgências x prosperidade

"Na Idade Média, os cristãos davam dinheiro para a igreja com o intuito de irem para o céu. Hoje, os cristãos dão dinheiro para a igreja para conseguirem um carro melhor, uma casa melhor..."

Ninguém aqui está defendendo as indulgências, mas pelo menos o motivo era mais nobre.

Creditos: Nani e a Teologia

segunda-feira, 13 de julho de 2009

No inicio era Igreja

“No início, a Igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a Igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio” - Ricardo C. Halverso citado por Pe. Inácio José de Val (Professor de História da Igreja)

sábado, 4 de julho de 2009

Trecho de um livro

"Sociologicamente, o cristianismo caracterizou-se por definir suas origens em torno das doutrinas sobre Jesus Cristo. O protestantismo remetia-se ao mesmo fato fundador através da Bíblia. Já no pentecostalismo, opera-se uma mudança radical na referencia ao fato fundador. O acontecimento de Pentecostes ocupa lugar fundamental, e as doutrinas em torno de Jesus Cristo são relegadas. Os pentecostalismos contemporâneos representam uma radicalização desse distanciamento das religiões cristãs."

Paulo B. Rivera. Tradição, transmissão e emoção religiosa, p. 234.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Frase para reflexão

"O homem pós-moderno não é religioso, mas emocional. As pessoas estão, em sua maioria, arrebentadas afetivamente. Portanto, ai da igreja que não atender a uma demanda afetiva dessa"

Manchete, 26 de outubro de 1996, p.44.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

“Há abusos em nome de Deus” - Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos

A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.

Entrevista concedida por Marília de Camargo César a Revista Epoca de 29/06/09, Edição nº 580.

ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César – Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.

ÉPOCA – O que você considera abuso religioso?
Marília – Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele diz: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa”. Então, essa mulher pede um conselho e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, que tem melhor reputação.

ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília – As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais (não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista), que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, Jesus Cristo é o único mediador. Mas o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes de sua vida, você precisa dele. Se você recebe uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar com aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa de sua vida. E ele está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.

ÉPOCA – Você afirma que não é só culpa do pastor.
Marília – Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho. A grande crítica de Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo suas decisões de adulto, que são difíceis, para a figura do pai ou da mãe, substituí­dos pelo pastor e pela pastora. O pastor virou um oráculo. Assim é mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para culpar pelas decisões erradas.

ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília – Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do diabo. Há pastores que afirmam que a terapia fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem de ser forte. E dizem isso apoiados em textos bíblicos. Afirmam que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que, com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele.

ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília – Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros
e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”

ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília – Os abusos não acontecem da noite para o dia. No primeiro momento, o fiel idealiza a figura do líder como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida da pessoa. O fiel, por sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher ou porque arrumou um emprego. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para legitimar essas práticas.

ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica...
Marília – É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. O pastor evangélico virou um papa, a figura mais criticada pelos protestantes, porque não erra. Não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. Mas é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma, e eu concordo com ela.

ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília – Eu não acho. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.

ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso.
Marília – Desconfie de quem leva a glória para si. Uma boa dica é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como querer ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que se discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado.

Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZ
Editora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão)

domingo, 14 de junho de 2009

Culto racional – 1ª parte

Toda formulação de pensamento nasce do contato com a realidade. É impossível alguém dizer que não fala pensando em A, B ou C. Você pode até dizer que suas idéias não miram A, B ou C, pode estar pensando na sociedade ou na situação da igreja como um todo. Mas perai: o todo, o conjunto, o coletivo, não é o agrupamento e o ajuntamento de A, B e C???
Pois bem, quando falamos, temos que responder ás questões de A, B ou C, ou do coletivo composto por A, B ou C
A leitura da Bíblia só faz sentido pra nós quando responde as nossas perguntas e os nossos anseios. Só faz sentido quando ela é contextualizada.
Baseado nisso que mencionei anteriormente, tenho observado e não vem de hoje essa minha observação, pessoas buscando um tipo de espiritualidade exacerbada, baseada em um empirismo, ou seja, uma espiritualidade baseada nas experiências, tudo o que pode ser visto, tudo o que necessita de comprovação. Uma espiritualidade baseada em extravagância, em movimentos corporais, uma espiritualidade que se reflete através das ações e emoções do meu corpo. E o pior de tudo: isso acaba se tornando uma regra para todos, fazendo com que todos tenham que passar por essas experiências empiristas.
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12; 1 e 2
Olha que interessante: devemos prestar ao Senhor um culto racional. O que seria um culto racional? Muitas pessoas acham que racional oposto de espiritual. Veja como essas pessoas que dizem isso negam a própria Bíblia, pois o apostolo Paulo nos estimula a prestar um culto racional. Então Paulo não era espiritual? Paulo era frio?
O que o apostolo Paulo está querendo dizer é que a nossa espiritualidade anda junto com a racionalidade. Ou seja, devo avaliar, com base na razão, como tem sido o meu culto a Deus. O que difere o homem dos outros animais é justamente isso: o ser humano é um ser racional. E quando Deus criou o homem racional ele disse: viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. Deus criou o homem um animal racional e disse que era bom. Deus se agradou daquilo que ele tinha criado.
No versículo 2 Paulo diz que devemos transformar o mundo com a renovação da vossa mente.O que ele está querendo dizer? Fique atento com as mudanças de sua época, coisas novas vão surgir, e vocês devem estar sempre alertas, sempre atentos, preservando sempre a sã doutrina de nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ou seja, os tempos mudarão, ensinos duvidosos surgirão, doutrinas questionáveis aparecerão, e é preciso estar sempre renovando a mente. E olha que interessante: o apostolo Paulo não nos diz para renovarmos o nosso espírito.
Porque será? Pergunto mais uma vez: Paulo não era um ser espiritual? Paulo era frio?
Paulo diz para renovarmos a nossa mente, e não o nosso espírito.
Deus deu ao homem a capacidade de pensar E disse Deus que isso era bom. Porque pensar é de Deus, e porque pensar é bom, devo renovar minha mente, através de meu culto racional para que ai sim eu experimente a boa, agradável e perfeita vontade de Deus
Portanto, quando abandonamos esse dom que Deus nos deu, quando abandonamos essa capacidade que só o homem tem de pensar e questionar, nós estamos negando a obra de Deus em nós, negando aquilo que Deus criou e disse que era bom.
Então, abandonamos o cristianismo pensante, o cristianismo que protesta, por isso chamado protestante, o cristianismo não conformador com esta era, mas transformador, e criamos outro tipo de movimento religioso, oposto ao cristianismo: criamos o emocionalismo.

Culto racional – 2ª parte

O emocionalismo é o movimento que mede a espiritualidade não pelo conhecimento bíblico, mas pela quantidade de vezes que ela chora, pela quantidade de vezes que levanta a mão nos cultos, pela quantidade de vezes que vai ao monte, pela quantidade de vezes que jejua e ora, pela quantidade de vezes que se arrepia durante um culto. Não mede mais a sua espiritualidade ou a sua salvação através da mudança de vida, mudança da mente, através da mudança dos valores e de comportamento. Não. Mede a espiritualidade através do empirismo, como dito anteriormente.
Então ela se julga cristã porque sente emoções. Então eu te pergunto: da mesma forma que eu posso chorar em um culto, eu posso chorar assistindo um filme. Chorar serve então de parâmetro para se medir espiritualidade? Da mesma forma que eu posso arrepiar em um culto, eu posso arrepiar assistindo a um show de uma grande banda. Então arrepiar serve de parâmetro para medir espiritualidade? Da mesma forma que eu posso sentir um frio na barriga durante um culto eu posso sentir isso andando na montanha russa. Portanto sentir um friozinho na barriga serve de parâmetro para medir espiritualidade?
O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento. Oseias 4;6
Notem: aqui não diz que o meu povo está sendo destruído porque lhe falta fazer jejuns, não diz que o povo está sendo destruído porque lhe falta muita oração, não diz que o povo está sendo destruído porque lhe falta muitas vigílias, não diz que o povo está sendo destruído porque lhe falta momentos ininterruptos de louvor e adoração nos cultos. Não, diz que o povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento.
Mas essa falta de conhecimento é como uma moeda: tem dois lados. O primeiro lado da falta de conhecimento vem do povo que quer emoção ao invés da razão, que mesmo alertado, prefere se converter ao emocionalismo ao invés do cristianismo. Vivemos em uma geração marcada pelo cinema e pelos efeitos especiais, uma geração marcada pela alta tecnologia. Uma geração sedenta por novas aventuras. Por isso mesmo, uma geração que não consegue ver o belo nas coisas simples, que não consegue acreditar em um Deus simples, quer um deus mágico, um deus show, um deus exibicionista, um deus que as faça arrepiar, chorar. Ou seja, um deus holywodiano, de preferência com legendas e som estéreo 5.1, pra ficar o mais americanizado possível, pois crêem que tudo o que vem do tio Sam é melhor que o tupiniquim.
O outro lado da moeda da falta de conhecimento vem dos sacerdotes, que se negam a ensinar ao povo as verdades bíblicas, e falam ao povo somente aquilo que eles querem ouvir. Isso estava acontecendo em Israel: levantavam-se falsos profetas dizendo: haverá paz, quando na verdade o Senhor nada disse sobre isso. Levantavam-se falsos profetas dizendo: o Senhor irá por nós, quando na verdade o Senhor nada havia dito a respeito disso. Levantavam-se falsos profetas dizendo: haverá somente prosperidade, quando na verdade o que os aguardava era um cativeiro e sofrimento.
Porque tu, sacerdote, rejeita o conhecimento - Oseías 4;6b
O Senhor também fizera um julgamento contra os lideres da época, que também eram responsáveis pela decadência moral de Israel. Os lideres religiosos daquele época fizeram vistas grossas contra os cultos a Baal e as idolatrias, profanando assim o primeiro e segundo mandamento. Portanto, vemos dois tipos de lideres: os que conduzem o povo ao erro e os que se calam perante esta situação. É comum ouvirmos dizer: não fale nada sobre A, B ou C, porque A, B e C é ungido do Senhor, como se quem falasse contra também não fosse ungido. Não fale nada sobre a igreja X ou Y porque, querendo ou não, elas estão fazendo a obra do Senhor. Não fale nada, é falta de ética, não fale nada, é falta de respeito.
Repare que a situação é a mesma daquela época, apenas mudando os personagens. Antes, eram os falsos profetas que diziam que nada aconteceria a Israel; hoje, são os emotivos que dizem: não fale nada, cale-se.
Em todas as épocas sempre se levantaram vozes proféticas para denunciar o que se fazia em nome de Deus, e sempre se levantaram vozes de oposição para calar essas vozes.
Foi por isso que Jesus disse: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! (Mt 23;37)
Então temos que conviver com absurdos em nome de uma fé emocional, em nome de uma fé pragmática, em nome de uma fé instantânea, rápida e sem perca de tempo. Uma fé sem o menor respaldo bíblico, uma fé baseada no sentimento humano e na busca pelos desejos. Convivemos com absurdos e não podemos falar nada. Convivemos com absurdos e achamos normal.

Culto racional – 3ª parte

A empresa de telefonia Oi foi muito feliz quando lançou um comercial onde mostrava vários absurdos acontecendo na sociedade e todo mundo convivendo muito bem com eles. (Para ver o comercial, acesse: http://www.youtube.com/watch?v=Ywkr9bb-tVI)
O vídeo começa falando: naquele lugar ninguém se incomodava com pequenos absurdos. Vemos varias cenas absurdas, e todo mundo se dando muito bem com isso.
Até que o rapaz fala a palavra “absurdo” e todos param por alguns segundos. E depois tudo volta ao normal. Acostumamos-nos tanto com os absurdos que, quando alguém menciona, paramos por um segundo e continuamos a viver neles.
Porque engolimos naturalmente todos os absurdos que são ditos em muitos altares? As pessoas são incoerentes que dizem que cada um livre para se achegar a Deus, mas não podemos questionar o poder e a forma de organizar os impérios chamados igrejas. As pessoas são tão incoerentes nas suas palavras, que dizem que somente Deus tem poder, mas delegam plenos e totais poderes ao homem, dizendo que sua “autoridade” não pode ser questionada.
É assim também entre os grupos de pessoas chamadas evangélicos: se alguém se levanta contra os absurdos, logo será taxada de revoltada, herege, criadora de confusão. Então, as pessoas continuarão a conviver tranquilamente com os absurdos e abandonarão a sua fé racional, deixando de usar aquilo que Deus lhe deu e disse que era bom: sua razão.
Assim, a religião da emoção possui um slogan, uma frase: É PROIBIDO PENSAR.
Pensar não faz parte da religião dos emo-gelicos (fusão de emocionalistas + evangélicos), porque pensar pode me fazer levar para caminhos que não me agradam, que não me satisfaçam. Pode me levar a questionar minhas posturas, questionar meu cristianismo individualista e consumista. Então, prefiro uma religião mais alienante, uma religião que não me faça importar com o outro, preferindo uma religião anti-cristã, e portanto, tornando-se um anti-cristão.
Gostaria de mencionar um texto do Leonardo Gonçalves, extraído do site púlpito cristão (http://www.pulpitocristao.com/). Ele diz assim:
“Será que ao receber a Cristo, abrimos mão do nosso cérebro? Será que já não sabemos pensar logicamente? Causa e efeito, princípio da uniformidade, fenomenologia da religião, essas coisas não são contrárias a fé. Aliás, podem até fortalecê-la. Nós fomos feitos para pensar! Vejo tudo isso e pergunto a mim mesmo: "O que será que impede os cristãos de serem mais críticos em seus posicionamentos, mais bereanos em relação à bíblia, menos cabalísticos e mais espirituais?" Penso que já é tempo que se levante uma geração que seja capaz de repensar esse cristianismo pagão, e que, através do discernimento, possa resgatar a essência perdida da nossa fé. Eu oro para que essa geração se levante. Serão jovens que se atreverão a pensar fora do caixote, que levarão o cristianismo para além da arena denominacional, pois o campo é o mundo. Uma geração de crentes sem-crentices, sem aquela mensagem evangelicista distorcida e estereotipada, onde Deus ora é um vassalo que atende todos os caprichos dos homens, ora é um algoz, com chicote na mão, pronto para castigar com o fogo eterno todos aqueles que não se adequam às imposições meramente humanas de tal denominação. Serão jovens que pregarão um evangelho sem barganhas, sem sensacionalismo, sem farisaísmo, mas também sem libertinagem. Cristianismo puro e simples. O evangelho, nada mais.
Eu sei que a tendência é piorar. A presente apostasia é profética, mas é justamente essa apostasia que vai evidenciar quem são os verdadeiros servos de Deus (1Jo 2.9). E eu, meu camarada, quero fazer parte dessa geração. Me recuso a bailar conforme a música, e não quero bater palma pra maluco dançar. Se for para escolher entre as excentricidades das estrelas e a bíblia sagrada, prefiro a bíblia. Sei que estou longe de ser perfeito, mas nem por isso vou me acomodar, nem vou virar marionete nas mãos dessa gente com aparência de piedade, mas que pisa na graça e negocia os pressupostos inegociáveis do cristianismo, vendendo a fé, a grosso e a retalho, e esculhambando com a noiva do Cordeiro. Não vou mais disfarçar minha covardia com alegações de pacifismo e tolerância. Paz sem voz não é paz, é medo! Não podemos aceitar o inaceitável, e nem tolerar o intolerável. Este é um preço muito alto. Quero a paz com todos, se possível, mas desejo a verdade a qualquer preço.”
Jesus disse: e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Ele não disse: e sentireis a verdade, e a verdade vos libertará. Ele disse conhecer. A nossa salvação e a nossa libertação passa pelo conhecimento.